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Açaí triplica longevidade em moscas da fruta


Segundo um novo estudo da Escola de Medicina da Universidade Emory (EUA), o açaí pode prolongar a vida de moscas da fruta em até três vezes, de 8 a 24 dias. A fruta parece proteger contra estresse oxidativo e outras ameaças que encurtam o tempo de vida dos insetos.

O estudo começou com o objetivo de entender os benefícios dos antioxidantes das frutas e bagas. Conforme avançou na pesquisa, Alysia Vrailas-Mortimer, principal autora do estudo, resolveu focar no açaí, devido ao sucesso inicial do fruto.

Alyisia já sabia que as moscas com mutações no gene “p38 MAP quinase” tinham vidas mais curtas que o normal e eram mais sensíveis ao calor, à privação de alimentos e ao estresse oxidativo.

Em experimentos, moscas mutantes viveram uma média de apenas oito dias quando receberam uma dieta simples, de água com açúcar. No entanto, sua vida útil triplicou (24 dias) quando a dieta foi complementada com açaí. Gengibre foi usado como suplemento em um grupo de controle.

Segundo Alysia, o açaí também protegeu moscas normais contra o estresse oxidativo (representado na forma de peróxido de hidrogênio, ou paraquat, um herbicida cujo nome comercial é Gramoxone 200).

O paraquat tem efeitos neurotóxicos que se assemelham ao mal de Parkinson. Sob a influência do herbicida, os ciclos circadianos (de sono e vigília) das moscas gradualmente tornam-se caóticos.

Mas, quando elas são expostas a peróxido de hidrogênio, e depois recebem açaí, a fruta as protege desses danos. O efeito protetor não ocorre se elas ingerem açaí antes de serem expostas ao herbicida.

“Nós mostramos que o açaí não só prolonga a vida, como também pode ajudar as moscas a funcionar melhor por mais tempo, quando expostas à paraquat. Ele mantém a qualidade de vida e não apenas as impede de morrer”, explica a pesquisadora.

Quando as moscas receberam uma dieta mais rica, de mingau de farinha de milho/melaço, os efeitos da suplementação com açaí foram mais pronunciados nos machos do que nas fêmeas. A expectativa de vida deles quase dobrou com açaí (de 20 a 40 dias), e nelas não fez muita diferença (de 30 a 34 dias). Mas os machos também eram mais sensíveis ao paraquat com a dieta enriquecida.

Benefícios antioxidantes?

O açaí é uma planta com muitos benefícios potenciais: reza a lenda que ele favorece a circulação sanguínea, repõe as energias, melhora as funções intestinais, aumenta o nível de bom colesterol e diminui o nível de mau colesterol, fortalece o sistema imunológico, é um tônico natural, vasodilatador, antioxidante, cicatrizante, além de ser uma fonte de ferro.

Então o açaí é antioxidante? Mas o que são antioxidantes?

Para saber o que significa “antioxidante”, precisamos entender primeiro o que são “radicais livres”.
Os radicais livres são compostos altamente reativos, criados no corpo durante funções metabólicas normais, ou introduzidos a partir do ambiente. Eles são moléculas “soltas” no nosso organismo, que podem entrar nas nossas células e oxidá-las, ou seja, lesioná-las ou até destruí-las.

Não tem como não produzirmos radicais livres, já que o produzimos até quando respiramos. Aí entram os antioxidantes. O termo antioxidante é utilizado para denominar a função de proteção celular contra os efeitos danosos dos radicais livres.

Para nos protegermos, temos que consumir antioxidantes. Alguns nutrientes, naturalmente presentes ou adicionados nos alimentos, possuem propriedade antioxidante, como as vitaminas C e E, os carotenoides e a isoflavona. O açaí contém uma variedade de antioxidantes e anti-inflamatórios, tais como compostos de antocianinas.

Grandes ensaios clínicos já estudaram os efeitos de antioxidantes como as vitaminas C e E, mas não conseguiram provar benefícios claros para a saúde humana.

Segundo Alysia, usar moscas sob estresse oxidativo como um modelo pode ser uma forma de dissecar quais componentes do açaí são benéficos.

Sondar os efeitos da fruta sobre os ritmos circadianos das moscas pode ser uma forma de identificar rapidamente vários compostos ou regimes que podem ser bons para a saúde, uma vez que os efeitos potenciais são visíveis antes mesmo da mosca morrer.

O próximo passo da pesquisa é estudar os componentes do açaí em conjunto, e não isoladamente. “Pode haver um efeito combinatório, e se você separar os componentes um do outro, pode perder o princípio ativo”, disse Subhabrata Sanyal, professor de biologia celular e parceiro no estudo.

Mas ele deixa claro: é melhor que a gente não espere muito do açaí, porque ele não deve fazer milagre. “Parece-me que a terapia antioxidante não irá funcionar após o dano já ter sido feito. Ensaios clínicos humanos que não levarem isso em conta podem ter resultados decepcionantes”, afirma.



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